Trilha sonora
domingo, 11 de dezembro de 2011
domingo, 13 de novembro de 2011
CONTOS POLICIAIS MUITO BONS!
1) A Faixa Malhada: acho que foi o meu preferido, pois achei a trama criativa e até mesmo horripilante. Mas antes que Sherlock revelasse o que seria a "faixa malhada", eu percebi do que se tratava.
2)Um Escândalo na Boêmia: aqui, nosso sagaz detetive conhece Irene Adler, "a mulher". Ele encontra alguém à sua altura, no que concerne a inteligência e astúcia.
3)A Liga dos Cabeça-Vermelha: chega a ser engraçada, pois lembra os golpes que as pessoas sofrem por parte de vigaristas. Sabe aquela célebre frase: "quando a esmola é grande..."? Desconfie!
4)O Problema Final: relata a "morte" de Sherlock Holmes, sempre através das narrativas de Watson.
5) A Casa Vazia: triunfante retorno de Sherlock Holmes.
Sherlock Holmes, além de inteligente e lógico, possui de um senso de humor inigualável! Frio e sarcástico, ele consegue irritar seus inimigos, pois além de tudo, é destemido.
Obra altamente recomendada.
sábado, 5 de novembro de 2011
UM ACHADO!!!
SINOPSE:
Um serial Killer choca o mundo após dar início a uma onda de assassinatos brutais, com perversos requintes de crueldade. Sua metodologia: ressuscitar os crimes mais hediondos do passado, utilizando-se de pessoas inocentes como alvo. Em sua lista, alguns dos casos que mais chocaram o país: Von Richthofen, Daniella Perez, PC Farias e o sinistro Meninos de Altamira.
Chamado pela mídia de O Copiador, o sociopata deixa em cada um de seus crimes a foto da próxima cópia, e uma aterradora promessa: "As mortes não cessarão enquanto Dom João da Costa Cunha continuar a viver". É conclave na Igreja Católica e o cardeal brasileiro é o nome mais cotado para ser eleito Papa.
Para comandar o caso, a polícia convoca o renomado Delegado Ronaldo Leme, que dá início à maior caçada policial da história. Com uma equipe de detetives policiais altamente qualificados e o auxílio dos mais extraordinários equipamentos de investigação criminal, eles correm contra o tempo para deter O Copiador, mas esbarram em uma série de evidências enigmáticas, as quais precisam decifrar.
O caso cai como uma luva nas habilidosas mãos da imprensa, que exerce toda sua pressão sobre os ombros da polícia e transforma cada assassinato num espetáculo de horror.
O que move o Copiador?
Qual sua ligação com o cardeal?
Por que ele só mata aos sábados?
É com orgulho que digo que os autores brasileiros de suspenses policiais, principalmente os que estão despontando, estão dando um show! Demonstram conhecimento sobre o que estão escrevendo e não apenas se baseiam no que a TV ou o cinema retratam sobre o misterioso mundo investigativo. E o mais curioso é que foi escrito por dois jornalistas, mas parece que você está lendo fatos narrados por típicos policiais. Vide Júnior e Carllos Santos também expõe com sinceridade a antipatia mútua entre policiais e imprensa e como esta, quando bem manipulada, ao invés de ser uma pedra no sapato da polícia, pode ser de grande ajuda na solução de um crime complexo.
O livro te prende do início ao fim, não dá vontade de parar de ler, porque a trama é bem amarrada, sem discrepâncias, enfim... colocou muito nome bom e antigo pra trás, na minha opinião. A obra é consistente, de acordo com a nossa realidade e retrata o trabalho da polícia civil paulista. Se o leitor comparar com o livro Orgasmos Fatais, por exemplo, conseguirá perceber com nitidez a diferença entre os investigadores paulistas e cariocas. Igualmente competentes, mas com suas peculiaridades. E isto, tanto no que diz respeito à metodologia de trabalho, quanto ao comportamento. Achei bastante interessante confrontar tais aspectos.
Eu coloco este livro e o da Bianca Carvalho - Jardim de Escuridão - como sendo os melhores livros policiais (thrillers) de escritores pátrios que li até o momento. São estilos bem diferentes, mas ambos de excelente qualidade. Infelizmente, não vemos a mídia dar o devido prestígio a obras tão boas e, pra piorar, alguns leitores ainda torcem o nariz para os nacionais, sem ao menos dar uma chance para a leitura. Só têm a perder com seus pré-conceitos infundados.
Os autores de Investigação Criminal - O Assassino do Sétimo Dia - têm bagagem e fizeram um excelente trabalho, que merece se tornar um best-seller e até mesmo um roteiro de cinema. Por que não, né?
sábado, 29 de outubro de 2011
OS ASSASSINATOS NA RUA MORGUE & A CARTA ROUBADA - EDGAR ALLAN POE
AVISO:
ESTA RESENHA CONTÉM SPOILER!!! NÃO LEIA, CASO DESEJE CONHECER A OBRA POSTERIORMENTE!
Não sou chegada a fazer resenhas contendo SPOILER, mas neste caso, para que meus comentários fizessem sentido, fui obrigada a quebrar minhas próprias regras.
Este foi o primeiro trabalho de Edgar Allan Poe que chegou às minhas mãos. É um livro pocket e que contém somente dois contos, cujos títulos estão referenciados acima. Perfeito para quem não quer perder horas em leituras muito elaboradas e longas. Mas, mesmo sendo um livro de pouco mais de 90 páginas, o escritor americano consegue ser profundo em alguns trechos. Eu achei isto bem interessante, pois sair do superficial em contos, especialmente policiais, não é algo tão fácil de se fazer.
Agora começo o SPOILER:
o primeiro conto me agradou mais e retrata dois possiveis assassinatos de mãe e filha, que moravam solitárias em uma casa de 4 andares na Rua Morgue. Vizinhos ouvem gritos e vozes estranhas às das moradoras e correm para ver o que ocorre com tão pacatas mulheres. Eles conseguem distinguir a voz áspera de um francês (e nisto as várias testemunhas são praticamente unânimes) e outra voz estridente, de um estrangeiro, porém proferindo palavras impossíveis de serem compreendidas. E em relação a esta segunda voz, as diversas testemunhas, reparem, de nacionalidades também diferenciadas, entram em conflito ao definirem-na: cada um sugere que a voz seja de determinada nacionalidade (italiana, russa, inglesa, etc), porém sequer conhecem o idioma ao qual se referem. E isto já me chamou atenção!
Então, ao chegarem ao 4º andar, se deparam com o horror: o quarto todo quebrado, nenhum objeto de valor subtraído e o corpo da filha atolado em uma chaminé, tendo sido necessária a força de várias testemunhas para conseguirem retirar o cadáver dali. No quintal, o corpo mutilado da mãe, com a cabeça quase cortada completamente, que cai quando tão somente mexem no cadáver. Fora o clichê das antigas tramas policiais: o quarto trancado por dentro, janelas trancadas e sem os suspeitos em seu interior... Agatha Christie adorava isto também. Mas, para tudo sempre existe uma explicação racional e Allan Poe tem este traço marcante: a lógica!
Mas, logo em seguida, outra coisa me chama atenção (página 29/30) e vou transcrevê-la, para entenderem melhor:
Nunca um assassinato tão misterioso, tão intrigante em todos os seus pormenores, foi cometido antes em Paris - se é que se trata de um assassinato. (negrito meu).
Claro ficou pra mim, que o escritor deu uma pista importantíssima para o leitor. O que poderia ser aquela cena de horror, senão assassinatos? Suicídios? E quem teria enfiado o corpo de cabeça para baixo da filha, em uma chaminé super estreita? A velha senhora? Se para retirar o cadáver foram necessários cerca de 3 homens... Não creio! A filha teria matado a mãe e depois se matado? Seu espírito teria escondido o próprio cadáver na chaminé? Não né! E as vozes que as pessoas ouviram?
Então, óbvio que as duas mulheres foram mortas brutalmente. Mas por que o autor põe em dúvida a questão assassinato? Imediatamente me recordei das aulas de Direito Penal, onde aprendemos que o homicídio só pode ser perpetrado por um ser humano contra outro ser humano. Depois disto, algum de vocês conseguiu desconfiar do que o autor, e agora esta signatária, falam? Vocês não acreditam que ele fez aquele comentário à toa, não é? Se elas não se mataram e tampouco foram vítimas de acidentes domésticos... (fora que ele comenta sobre a força brutal e ferocidade dos crimes, que não se enquadraria no mais pervertido dos criminosos), quem ou o quê lhes ceifou as vidas? Naquela época não existiam andróides! Um animal, não é mesmo? E eu acertei em cheio... A voz estridente era de um orangotango feroz que escapara de seu dono. Este, um marinheiro, havia perseguido o animal e presenciou as mortes, nada podendo fazer.
Gostei, pois foi original. Embora, na minha opinião, Allan Poe tenha sido bonzinho demais ao dar de bandeja a autoria do crime para o leitor. Ao contrário de Agatha Christie, que praticamente torna isto impossível, ele foi camarada demais, rsrsrs.
Em relação ao segundo conto, eu pude ter certeza de algo que suspeitei desde o anterior: os americanos adoram menosprezar os internacionais; eles sempre são os melhores, aqueles que enxergam até o que o deus Hélio não consegue! O personagem Dupin, que é o curioso que sempre desvenda os mistérios e deixa o Chefe de Polícia com cara de bobo, volta e meia dá um jeito de dizer que a polícia parisiense é astuta, que utiliza de excelentes meios e técnicas, mas... e aí ele, numa nítida técnica do sanduíche, ele simplesmente coloca os policiais parisienses como ingênuos. E ele, claro, o f**ão! Allan Poe era americano e, posso estar enganada, percebi em vários pontos (e olha que é um conto, hein!), seu preconceito, ou melhor, ares de superioridade em relação aos europeus. Não curti isto.
Esta segunta trama, resumidamente, é sobre uma carta furtada por um político, que o deixa em vantagem sobre uma senhora pública e ele começa a chantageá-la. Os argumentos de Dupin, ao revelar como conseguiu recuperar a carta, têm lógica, mas mesmo assim eu achei que ele forçou um pouco a barra. Foi meio sem sal.
Algumas pessoas não gostam de escritores que narram em primeira pessoa, como Edgar Allan Poe faz, mas isto pra mim é indiferente. Eu até que gostei de sua narrativa, embora pareça mais um monólogo em certas partes. Quando Dupin começa...
Agora, um alerta aos tradutores, que eu vou fazer sim, pois quando é um escritor nacional e desconhecido que comete o mesmo tipo de deslize, só faltam crucificar a criatura. E sabemos que o sucesso de obras internacionais, também se deve, em parte, a traduções de qualidade. Página 67:
O endereço, contudo, estava voltado para cima, e estando o conteúdo escondido, a carta passou desapercebida. (negrito meu).
O correto seria "despercebida", que significa: "que não se viu ou não se ouviu".; a palavra utilizada significa outra coisa: "desprevenida, desprovida".
Não posso formar, ainda, uma opinião completa sobre o escritor, pois teria que conhecer mais textos seus. Porém, considerei estes dois contos boas leituras, com as devidas ressalvas. No Skoob, avaliei com 3 estrelas, pois apesar de ter gostado, não me impressionou tanto. Mesmo assim, vale à pena conferir!
sábado, 22 de outubro de 2011
Uma romancista policial romântica é a Bianca Carvalho!
Romance policial? Pois é! E que surpresa boa!
Digo isto, porque quando comprei Jardim de Escuridão na Bienal do Livro 2011, foi a própria escritora quem fez um breve resumo de sua obra. Ela explicou que o livro era um misto de romance, mistério, drama, uma dose de magia e de suspense. De cara me agradou, principalmente por causa do suspense. Mas, mesmo assim, ao olhar a belíssima capa, eu imaginei que a trama giraria mais em torno de um romance (no sentido estrito da palavra).
Que nada! rsrsrs... Bianca Carvalho esqueceu de mencionar naquele dia, que sua obra é um genuíno romance policial, sim! E dos bons!
A história começa com o falecimento de Lolla e esta deixa cartas para suas três netas. Porém, não são cartas comuns, já que as mulheres desta família, todas elas de alguma forma, têm dons especiais. E aqui, Bianca descreveu a verdadeira magia (ao menos no meu modo de compreender): o dom que nasce com a pessoa e que não precisa de rituais mirabolantes para se manifestar.
Neste primeiro volume da trilogia a protagonista é a neta mais velha, Faith, uma conhecedora das flores e de seus mistérios. É alguém que sofre por acontecimentos recentes e precisa reencontrar o caminho para a felicidade.
Nesta busca, Faith se vê envolvida em uma investigação de mortes seriais de mulheres, cujo assassino é apelidado como "Assassino das Noivas." No início, ela não consegue entender como o seu interesse e empenho naquelas mortes misterioras, poderiam alterar o seu destino. E é neste ponto que a escritora mostrou seu talento: amarrou muito bem os detalhes e tudo faz sentido no final.
Bianca é uma escritora jovem, mas denota muita maturidade. Não só pela sua escrita limpa e bem estruturada. Ela consegue construir uma trama policial consistente e sem discrepâncias, o que posso afirmar, é difícil. Pois, ao contrário do muitos possam imaginar, histórias policiais exigem um conhecimento técnico, o mínimo que seja. E ela tem muito jeito pra coisa. Digo isto, não só como escritora de suspenses policiais, mas também como profissional atuante na área penal.
Além disso, a autora parece conhecer dilemas que os policiais têm que enfrentar constantemente, tais como: noites de sono perdidas no trabalho, temperamentos oscilantes em razão de só lidarem com coisas malignas, pressão da sociedade e também a má vontade predominante que as pessoas "de bem" têm em dizer o que sabem... Como um amigo meu, da segurança pública, costuma dizer: as pessoas comuns exigem que os policiais sejam super-heróis, mas ninguém quer lhes dar super-poderes"... Bianca Carvalho, de uma forma sutil, traduz bem esta sentença.
E todo o mistério criado na resolução dos crimes, é suavizado por uma história de amor. Mas sem adoçar demais, pois não existe um abuso de emoções e o drama é na medida certa.
Também gostei de que, embora seja uma trilogia, este volume teve uma conclusão. A pior coisa, na minha opinião, é quando você fica querendo saber o fim daquilo e tem que aguardar o próximo volume. No caso da obra de Bianca Carvalho, embora haja uma continuação, houve um fim. A expectativa agora é em relação às outra personagens. Tranquilo pra mim, que consigo esperar neste caso.
Não costumo sair tecendo elogios simplesmente porque o autor é nacional e/ou porque o conheço... ou ainda porque ele ou ela podem ler o meu livro e aí haver uma "troca de boas resenhas". NÃO MESMO! Eu só elogio porque gosto e quando existem pontos negativos a serem apontados, eu faço (e gosto que façam o mesmo comigo)... ou então, quando percebo que o escritor pode se ressentir, prefiro deixar quieto. Mas Jardim de Escuridão foi, de fato, uma leitura excelente pra mim e não vou ficar inventando coisas negativas só pra parecer imparcial, pois não há necessidade disto. Estou sendo bastante imparcial. A obra me agradou muito e pronto! Posso afirmar que, dos poucos livros de colegas pátrios que conheci até agora, este está liderando!
Parabéns Bia! Te desejo muito sucesso, porque você merece! Quem tem talento de verdade merece. Jamais duvide disto!
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
LEITURA IRRESISTÍVEL!
Uma semana antes de fazer esta resenha, eu li o primeiro livro do autor, Cicatrizes de um Segredo e já fiz os devidos comentários no Skoob e aqui no blog. Agora, com Irresistivelmente Fatal, já posso afirmar com mais convicção, que Márcio Scheibler segue um estilo parecido com o de Agatha Christie. A diferença é que os livros de Márcio são ainda mais diretos, ao passo que os de Agatha "passeiam" mais por alguns pontos, tais como diálogos e descrições de personagens.
Basicamente, a trama gira em torno de um homicidio brutal de um rapaz jovem e rico, mulherengo, porém gente boa. A última pessoa vista com a vítima é uma jovem e linda mulher, que passa a ser a suspeita número 1 do crime. A questão primeira é descobrir a identidade desta pessoa. Aí, entra em cena o já conhecido detetive Otávio Medeiros, que assume o caso a pedido de seu sobrinho Rodrigo, que era o melhor amigo da vítima fatal, Leandro.
O livro flui, assim como o Cicatrizes de um Segredo e em Irresistivelmente Fatal, a dúvida que tive quanto à real situação do detetive Otávio Medeiros no primeiro romance, fica esclarecida: ele era policial também e não somente um detetive particular, conforme sugeria a primeira obra.
Na história de Irresistivelmente Fatal, entretanto, Otávio já se aposentou e é um ex policial. E aí entra um fator que me incomodou um pouco, pois "ex" significa que não é mais, logo, as prerrogativas acabam. Na prática, Otávio poderia muito bem participar das investigações e ajudar a polícia... Problema nenhum até aqui. A questão que fugiu da realidade, foi o fato de Otávio dar ordens ao policial Moreira, dizendo que este deveria sempre consultá-lo antes de agir ou até mesmo de dar entrevistas sobre o caso.
Um policial civil só presta obediência aos seus superiores hierárquicos, sendo o mais imediato o delegado de polícia (que nem aparece na obra). Moreira poderia até ter acatado a atitude de Otávio por pura amizade, mas a maneira como isto é colocado no livro, dá a entender que o policial abaixou a cabeça para o ex policial. Se isto ocorresse na vida real, o policial da ativa estaria sujeito até mesmo a responder a uma sindicância administrativa, pois investigações criminais são sigilosas e privativas da polícia judiciária (polícia civil).
E repita-se, Otávio é um particular, pois está aposentado. Seria menos admissível ainda ele, Otávio, responder a uma coletiva da imprensa. Como romancista policial e profissional da área criminal, não posso deixar de comentar estes pontos, espero que o autor entenda. A intenção é colaborar.
Tirando o exposto acima, posso dizer que a trama é criativa, a escrita limpa e direta e vale à pena, principalmente para quem não está a fim de ler livros enormes e com muita enrolação desnecessária.
Não pude deixar de me lembrar de alguns filmes de suspense quando li este livro, sendo um deles o Desejos (Final Analysis), estrelado nos anos 80 por Kim Basinger e Richard Gere. Não vou dizer qual, mas determinado trecho me fez lembrar na hora do filme, rsrsrs. Não que seja igual, mas trabalha com a mesma ideia. E eu amo este filme!
Em suma, é um livro muito bom e que merece estar nas estantes dos amantes da literatura policial e de suspense.
Mais uma vez parabenizo o Márcio Scheibler pelo seu trabalho!
domingo, 18 de setembro de 2011
LEITURA DIRETA, EM RODEIOS
Pra começar, adorei quando comprei o livro na Bienal 2011 (aliás, comprei os livros, pois junto adquiri Irresistivelmente Fatal, do mesmo autor) e constatei que é tamanho pocket e não muito extenso. Isto porque há épocas em que gosto de ler livros maiores e mais detalhados, o que não retrata o momento atual. Em Cicatrizes de um Segredo, eu me deparei com um estilo de escrita rápido, que não cansa, quase nos moldes de um roteiro, de tão direto que é.
Temos um dilema na trama, quando Ricardo perde a confiança em seu melhor amigo de infância, Martim, acreditando que este o traiu e furtou suas joias de família, escondida em uma sala secreta de uma universidade onde ambos estudaram. Desde o início, fica claro para o leitor da culpabilidade ou não de Martim.
Então, entra em cena outro amigo de ambos, Otávio Medeiros, que se tornou detetive particular e resolve dsvendar o misterioso furto. Digo misterioso, pois além de o ladrão entrar em uma sala que, supostamente, somente Ricardo e Martim conheciam, ele retornava ao local do crime e deixava pistas enigmáticas, confundindo ainda mais o detetive e os dois amigos. Aliás, aquelas contas me deixaram tensa, kkkkk... Matemática, arghh! Mas foi uma grande sacada do autor.
O desfecho é interessante e nos faz pensar no quanto o mundo dá voltas, não importa quantos anos se passem, não importa quantas gerações sucedam. E ainda temos outra surpresa, logo após a autoria do crime ser revelada; e esta parte final dá um toque de aventura à trama, que até então segue sem sobressaltos.
É uma boa trama policial, recomendada com orgulho, até porque amo histórias policiais, tanto é que as escrevo também. Logo, me senti em casa, rs. Porém, tive dúvidas quanto a certos aspectos ligados ao fator polícia investigativa e procedimentos. Isto não é relevante para quem busca uma leitura prazerosa e instigante, como é o caso de Cicatrizes de um Segredo, mas se torna importante para aqueles leitores que gostam de se mantem informados e esclarecidos acerca do trabalho policial; neste caso o da nossa Polícia Civil.
Uma questão é o fato de Otávio Medeiros ser um detetive particular e ter um acesso tão aberto à perícia e à delegacia de polícia. Não sei como é a estrutura da Polícia Civil do Sul, logo, estou somente questionando e não julgando, mas o normal é um acesso bem restrito. Um detetive particular não tem elo algum com o Estado e por esta razão não poderia solicitar perícias tão facilmente a um perito oficial. Talvez o autor pudesse ter dado a entender que Medeiros tinha muitos amigos na polícia, que era um excelente colaborador e quando precisava estes retribuíam com favores... Nós que somos da área, sabemos que isto acontece, mas não a troco de nada. Senão, fica a errônea impressão de que um particular trabalha diretamente com os órgãos de segurança pública e tem acesso a laudos oficiais livremente, o que não acontece, salvo nos casos de trocas de favores, como já citei.
Entretanto, quando ocorre uma prisão na história, o autor a descreve muito bem: Medeiros, que não tem Poder de Polícia (por não ser agente policial), ao relevar a autoria do furto, pede aos verdadeiros detetives que prendam a pessoa. Ficou dentro da realidade.
Ai, retorno à questão do detetive particular, quando no final é mencionado que Medeiros retornou à delegacia onde trabalhava... Neste caso, surgiu de novo a dúvida se Medeiros era somente um detetive particular que trabalhava informalmente como colaborador (X-9) da polícia ou se, além de seus serviços particulares, também era servidor público. Às vezes acontece: o policial faz "bicos" diversos, como segurança e até mesmo como detetive particular. Ficou esta interrogação.
Outra questão que fugiu um pouco da realidade, foi o fato de uma cena de nítida legítima defesa de terceiros, ter sido tratada como um flagrante comum. Pelo que vejo na rotina policial, a pessoa em questão responderia a um inquérito sim, até para apurar e constatar a legítima defesa e a absolver sem dúvidas. Mas não seria tratado (a) como um (a) homicida doloso. Muito menos algemariam, já que a situação era peculiar e a pessoa não demonstrava periculosidade.
Estou apontando estas questões, não para desmerecer a obra, até porque GOSTEI BASTANTE, que fique claro! E sim para levantar discussões positivas acerca da literatura policial, suas particularidades, e saber do autor o que ele realmente quis dar a entender; se ele preferiu deixar estas margens de interpretação livres para cada leitor; se, por se tratar de uma ficção, ele preferiu alterar até mesmo certos detalhes da rotina policial, enfim... Temos poucos escritores brasileiros nessa área e até agora tenho gostado das obras que li. Posso citar Vides Júnior e Carllos Santos, Sérgio Pereira Couto e agora o Márcio Scheibler.
Este último tem uma escrita muito boa, um Português limpo e uma maneira dinâmica de narrativa. A ideia central da trama é legal e no geral, dá orgulho a quem escreve o mesmo gênero literário. Pena que seu livro acabe tão rápido... Ele poderia ter rebuscado mais, sem encher linguiça (em momento algum ele faz isto, como eu disse, seu estilo é bem direto), para que o leitor degustasse mais devagar de uma trama tão boa. Acho que quando gostamos do livro, não queremos que ele acabe, não é mesmo? rs
Então, leiam Cicatrizes de um Segredo, pois é uma leitura que vale à pena. Agora, vou partir para Irresistivelmente Fatal!
Parabéns ao escritor brasileiro Márcio Scheibler por sua obra!
Assinar:
Postagens (Atom)
















