Trilha sonora

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

LEITURA IRRESISTÍVEL!


Uma semana antes de fazer esta resenha, eu li o primeiro livro do autor, Cicatrizes de um Segredo e já fiz os devidos comentários no Skoob e aqui no blog. Agora, com Irresistivelmente Fatal, já posso afirmar com mais convicção, que Márcio Scheibler segue um estilo parecido com o de Agatha Christie. A diferença é que os livros de Márcio são ainda mais diretos, ao passo que os de Agatha "passeiam" mais por alguns pontos, tais como diálogos e descrições de personagens.

Basicamente, a trama gira em torno de um homicidio brutal de um rapaz jovem e rico, mulherengo, porém gente boa. A última pessoa vista com a vítima é uma jovem e linda mulher, que passa a ser a suspeita número 1 do crime. A questão primeira é descobrir a identidade desta pessoa. Aí, entra em cena o já conhecido detetive Otávio Medeiros, que assume o caso a pedido de seu sobrinho Rodrigo, que era o melhor amigo da vítima fatal, Leandro.

O livro flui, assim como o Cicatrizes de um Segredo e em Irresistivelmente Fatal, a dúvida que tive quanto à real situação do detetive Otávio Medeiros no primeiro romance, fica esclarecida: ele era policial também e não somente um detetive particular, conforme sugeria a primeira obra.

Na história de Irresistivelmente Fatal, entretanto, Otávio já se aposentou e é um ex policial. E aí entra um fator que me incomodou um pouco, pois "ex" significa que não é mais, logo, as prerrogativas acabam. Na prática, Otávio poderia muito bem participar das investigações e ajudar a polícia... Problema nenhum até aqui. A questão que fugiu da realidade, foi o fato de Otávio dar ordens ao policial Moreira, dizendo que este deveria sempre consultá-lo antes de agir ou até mesmo de dar entrevistas sobre o caso.

Um policial civil só presta obediência aos seus superiores hierárquicos, sendo o mais imediato o delegado de polícia (que nem aparece na obra). Moreira poderia até ter acatado a atitude de Otávio por pura amizade, mas a maneira como isto é colocado no livro, dá a entender que o policial abaixou a cabeça para o ex policial. Se isto ocorresse na vida real, o policial da ativa estaria sujeito até mesmo a responder a uma sindicância administrativa, pois investigações criminais são sigilosas e privativas da polícia judiciária (polícia civil).

E repita-se, Otávio é um particular, pois está aposentado. Seria menos admissível ainda ele, Otávio, responder a uma coletiva da imprensa. Como romancista policial e profissional da área criminal, não posso deixar de comentar estes pontos, espero que o autor entenda. A intenção é colaborar.

Tirando o exposto acima, posso dizer que a trama é criativa, a escrita limpa e direta e vale à pena, principalmente para quem não está a fim de ler livros enormes e com muita enrolação desnecessária.

Não pude deixar de me lembrar de alguns filmes de suspense quando li este livro, sendo um deles o Desejos (Final Analysis), estrelado nos anos 80 por Kim Basinger e Richard Gere. Não vou dizer qual, mas determinado trecho me fez lembrar na hora do filme, rsrsrs. Não que seja igual, mas trabalha com a mesma ideia. E eu amo este filme!

Em suma, é um livro muito bom e que merece estar nas estantes dos amantes da literatura policial e de suspense.


Mais uma vez parabenizo o Márcio Scheibler pelo seu trabalho!

domingo, 18 de setembro de 2011

LEITURA DIRETA, EM RODEIOS


Pra começar, adorei quando comprei o livro na Bienal 2011 (aliás, comprei os livros, pois junto adquiri Irresistivelmente Fatal, do mesmo autor) e constatei que é tamanho pocket e não muito extenso. Isto porque há épocas em que gosto de ler livros maiores e mais detalhados, o que não retrata o momento atual. Em Cicatrizes de um Segredo, eu me deparei com um estilo de escrita rápido, que não cansa, quase nos moldes de um roteiro, de tão direto que é.

Temos um dilema na trama, quando Ricardo perde a confiança em seu melhor amigo de infância, Martim, acreditando que este o traiu e furtou suas joias de família, escondida em uma sala secreta de uma universidade onde ambos estudaram. Desde o início, fica claro para o leitor da culpabilidade ou não de Martim.

Então, entra em cena outro amigo de ambos, Otávio Medeiros, que se tornou detetive particular e resolve dsvendar o misterioso furto. Digo misterioso, pois além de o ladrão entrar em uma sala que, supostamente, somente Ricardo e Martim conheciam, ele retornava ao local do crime e deixava pistas enigmáticas, confundindo ainda mais o detetive e os dois amigos. Aliás, aquelas contas me deixaram tensa, kkkkk... Matemática, arghh! Mas foi uma grande sacada do autor.

O desfecho é interessante e nos faz pensar no quanto o mundo dá voltas, não importa quantos anos se passem, não importa quantas gerações sucedam. E ainda temos outra surpresa, logo após a autoria do crime ser revelada; e esta parte final dá um toque de aventura à trama, que até então segue sem sobressaltos.

É uma boa trama policial, recomendada com orgulho, até porque amo histórias policiais, tanto é que as escrevo também. Logo, me senti em casa, rs. Porém, tive dúvidas quanto a certos aspectos ligados ao fator polícia investigativa e procedimentos. Isto não é relevante para quem busca uma leitura prazerosa e instigante, como é o caso de Cicatrizes de um Segredo, mas se torna importante para aqueles leitores que gostam de se mantem informados e esclarecidos acerca do trabalho policial; neste caso o da nossa Polícia Civil.

Uma questão é o fato de Otávio Medeiros ser um detetive particular e ter um acesso tão aberto à perícia e à delegacia de polícia. Não sei como é a estrutura da Polícia Civil do Sul, logo, estou somente questionando e não julgando, mas o normal é um acesso bem restrito. Um detetive particular não tem elo algum com o Estado e por esta razão não poderia solicitar perícias tão facilmente a um perito oficial. Talvez o autor pudesse ter dado a entender que Medeiros tinha muitos amigos na polícia, que era um excelente colaborador e quando precisava estes retribuíam com favores... Nós que somos da área, sabemos que isto acontece, mas não a troco de nada. Senão, fica a errônea impressão de que um particular trabalha diretamente com os órgãos de segurança pública e tem acesso a laudos oficiais livremente, o que não acontece, salvo nos casos de trocas de favores, como já citei.

Entretanto, quando ocorre uma prisão na história, o autor a descreve muito bem: Medeiros, que não tem Poder de Polícia (por não ser agente policial), ao relevar a autoria do furto, pede aos verdadeiros detetives que prendam a pessoa. Ficou dentro da realidade.

Ai, retorno à questão do detetive particular, quando no final é mencionado que Medeiros retornou à delegacia onde trabalhava... Neste caso, surgiu de novo a dúvida se Medeiros era somente um detetive particular que trabalhava informalmente como colaborador (X-9) da polícia ou se, além de seus serviços particulares, também era servidor público. Às vezes acontece: o policial faz "bicos" diversos, como segurança e até mesmo como detetive particular. Ficou esta interrogação.

Outra questão que fugiu um pouco da realidade, foi o fato de uma cena de nítida legítima defesa de terceiros, ter sido tratada como um flagrante comum. Pelo que vejo na rotina policial, a pessoa em questão responderia a um inquérito sim, até para apurar e constatar a legítima defesa e a absolver sem dúvidas. Mas não seria tratado (a) como um (a) homicida doloso. Muito menos algemariam, já que a situação era peculiar e a pessoa não demonstrava periculosidade.

Estou apontando estas questões, não para desmerecer a obra, até porque GOSTEI BASTANTE, que fique claro! E sim para levantar discussões positivas acerca da literatura policial, suas particularidades, e saber do autor o que ele realmente quis dar a entender; se ele preferiu deixar estas margens de interpretação livres para cada leitor; se, por se tratar de uma ficção, ele preferiu alterar até mesmo certos detalhes da rotina policial, enfim... Temos poucos escritores brasileiros nessa área e até agora tenho gostado das obras que li. Posso citar Vides Júnior e Carllos Santos, Sérgio Pereira Couto e agora o Márcio Scheibler.

Este último tem uma escrita muito boa, um Português limpo e uma maneira dinâmica de narrativa. A ideia central da trama é legal e no geral, dá orgulho a quem escreve o mesmo gênero literário. Pena que seu livro acabe tão rápido... Ele poderia ter rebuscado mais, sem encher linguiça (em momento algum ele faz isto, como eu disse, seu estilo é bem direto), para que o leitor degustasse mais devagar de uma trama tão boa. Acho que quando gostamos do livro, não queremos que ele acabe, não é mesmo? rs

Então, leiam Cicatrizes de um Segredo, pois é uma leitura que vale à pena. Agora, vou partir para Irresistivelmente Fatal!

Parabéns ao escritor brasileiro Márcio Scheibler por sua obra!



domingo, 7 de agosto de 2011

RESENHA DO LIVRO O ADVOGADO DO DIABO - ANDREW NEIDERMAN


Eu assisti o filme O Advogado do Diabo e achei simplesmente fantástico! A maneira como o tema central foi abordado no filme, foi muito mais intensa e emocionante do que no livro. Aliás, quem espera ver uma trama similar, esqueça! Em alguns pontos se assemelham, mas diria que em uns 30% somente. quando li o livro me deparei diante de outra história.

Mas, não quero dizer com isto que o livro seja ruim. É uma boa obra, que atende àqueles que desejam uma leitura mais direta, objetiva e pouco reflexiva. Na verdade, é o tipo de livro que tem uma história legal e interessante, mas que você lê muito rapido porque o próprio autor quebra rapidamente o suspense e já faz as conclusões pelo leitor.

Temos um "diabo" mais contido nesse romance e talvez eu pense assim, justamente após ver a atuação maravilhosa de Al Pacino no cinema. A esposa da Kevin é diferente, o próprio Kevin também. 

Talvez eu até desse uma nota melhor, tipo 4 estrelas, caso não tivesse assistido o filme. Fato é que este é um dos poucos casos em que um filme supera o livro que lhe serve como base.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

RESENHA DO LIVRO A COISA - STEPHEN KING


Eu li esse livro por causa do filme, que assisti no início dos anos 90 com alguns amigos. O filme foi criado em formato para a televisão, tendo sido exibido nos EUA como seriado, na verdade, um mini. Entretanto, quando adaptado para VHS (atualmente DVD), torna-se um longa bem longo... O trocadilho foi inevitável.

Bem, eu amei e ainda amo o filme, mas após ler o livro... Caramba! É uma obra-prima: do medo, do suspense... No início eu ainda não estava acostumada com o estilo de Stephen King: demasiado detalhista e prolongado, mas depois, conforme a história aproximava-se do fim, eu sentia pena. Pena de ver Bill, Stan, Ben, Beverly, Eddie, Mike e Richie saírem de minha vida. Eu me senti junto deles no desenrolar dos fatos, tanto na infância como na fase adulta. Envolvi-me com eles, com seus temores, com suas dúvidas, com seus problemas pessoais... A responsabilidade inimaginável nas mãos de sete crianças, nada mais do que crianças, que se prendem não só por uma promessa, mas também pela amizade. São personagens extremamente carismáticos.

Realmente, se fosse fazer um filme fiel ao livro, seria um mega filme. Pois, muitos fatos e personagens foram suplantados na telinha. E no livro, existem cenas fortes, chocantes e ousadas, que acredito certas autoridades não permitiriam serem filmadas (sem detalhes, não quero contar SPOILERS), justamente por envolverem crianças.

A Coisa domina toda uma cidade e isto nos faz refletir o quanto vemos da mesma no mundo real e o quanto os mais inocentes pagam por isto. O mal está aqui e ali, disfarçado sob inúmeras formas e sempre existiu. Stephen King aborda muito bem a temática.

É uma leitura altamente recomendável e embora seja extremamente detalhada, até mesmo leitores que gostam de abordagens mais diretas (como eu), vão se sentir envolvidos com o nebuloso clima da cidade de Derry e com as fantásticas crianças/adultos, que se reencontram após 27 anos para cumprirem uma promessa e destruírem a demoníaca Coisa.


Um livro inesquecível!!!


domingo, 31 de julho de 2011

RESENHA DO LIVRO ASGARD - A SAGA DOS NOVE REINOS


Organizado por Sóira Celestino e Evandro Guerra e publicado pela Jambo Editora (Porto Alegre), essa sensacional compilação de contos, poemas e odes nórdicas é obra dos seguintes autores nacionais:

Ives Gandra da Silva Martins, Simone Marques, Evandro Guerra, Sara Zero, Suzy Hekamiah, Lorde Ferreira, Gisele Garcia, Iam Godoy, Walter Tierno, Milena Oda, Oscar Mendes Filho, Nana B. Poetisa, Regina Castro, Sóira Celestino, Marta Reis, Carolan Nathan, Vinícius Reidryk, Newton Emediato Filho, Silvia Ferreira Lima, Ricardo Félix, Alex Mir, Sophie Reyer, Márson Alquati, Alfer Medeiros, Paula Moreira e Victor Iturrioz Pallejà.

Bem, difícil acreditar que com um time desses, a leitura não seja boa. Não é boa realmente, é ÓTIMA! Cada autor consegue levar o leitor ao mítico e frio mundo dos nórdicos, com seus deuses mortais, porém poderosos e com características humanas, bem como o frio devastador que os assolava, as guerras brutais e intermináveis e as esperanças dos nobres guerreiros em encontrarem as Valquírias... Estas que, após suas mortes nos sangrentos campos de batalhas, os levariam ao eterno salão de Odin, onde brindariam eternamente e contariam suas glórias passadas uns aos outros.

Em meio a variados contos, cada um com a marca própria de cada autor, nos deparamos com odes e poemas belíssimos, como o de "Yggdrasil, Árvore do mundo... origem da vida", de Nana B. Poetisa, que em poucas palavras, nos mostra uma sabedoria antiga, que retorna com força total ao mundo contemporâneo.

A arte do livro é muito bonita, retratando o lendário martelo de Thor pairando em um céu tormentoso, cercado por raios poderosos. Poder! Sim, os contos nórdicos falam muito disto. O poder da guerra, o poder do amor, o poder da ira, o poder do frio, o poder da vida e, claro... o poder dos Deuses! E mesmo ameaçados constantemente pelo Crepúsculo ou Ragnarok, eles renascem de alguma forma, pois tudo não passa de um ciclo.

Uma obra imperdível para quem gosta de mitologia, Asgard - A Saga dos Nove Reinos, relata contos nórdicos antigos e, pasmem, contemporâneos. Alguns contos nos mostram que o fator tempo e espaço só é um limitador para as pessoas, nunca para os Deuses e que estes continuam dando vida aos seus mitos através de seus novos profetas... ou poetas... ou escritores!

terça-feira, 26 de julho de 2011

RESENHA DO LIVRO RELÍQUIA - CAMINHOS DE UM TEMPLO EGÍPCIO (GUSTAVO DRAGO)


A trama abordada em Relíquia - Caminhos de um templo egípcio segue o estilo de obras cinematográficas de sucesso, como Indiana Jones, Tomb Raider, tudo por uma esmeralda, entre outros. Particularmente, sempre preferi tais enredos nas telonas, até mesmo por causa dos alucinantes efeitos especiais, por isto nunca havia lido qualquer obra do gênero.

Entretanto, tive meu primeiro contato com uma obra no estilo literatura fantástica, lendo o livro de Gustavo Drago e Nana B. Poetisa e confesso que foi uma experiência muito boa!

A uma porque é sempre bom se abrir ao novo, ainda mais quando o novo tem qualidade e nada deve aos escritores internacionais, muito pelo contrário; a duas, porque os autores conseguiram reunir romance, comédia, terror, ação, aventura, doses de erotismo, mistério e suspense, sem massacrarem o texto, que traduz uma leitura fluida, prazerosa e coerente.

O único ponto que não me agradou muito, mas isto é muito pessoal e não desmerece a obra, é o fato de alguns diálogos parecerem emotivos além da conta (Jennifer e seu pai); porém, outros leitores podem até se identificar com o foco sentimental, então, só estou demonstrando meu ponto de vista.

Não posso comparar com outras obras similares, pois conforme expliquei, é a primeira que leio, mas se conquistou a mim, que sou muito mais familiarizada com romances policiais e suspenses, com certeza agradará muito aos leitores do gênero, em especial os mais jovens, sem deixar os mais maduros de fora.

O problema maior é que quando você termina de ler Relíquia, fica desesperada para saber o que vai acontecer, pois os autores (cruéis, rsrsrs) programaram uma saga de sete volumes, então... Resta torcer para que o segundo volume seja lançado logo! E o terceiro, o quarto, etc.

Parabéns aos autores! E, leitores, não percam tempo, leiam Relíquia e se divirtam muito no enigmático Egito e seus templos perdidos nas areias mágicas do deserto.